2ª Viagem - 9 de Junho de 1984
Senti a presença do amigo do mar. Vi-o mais de perto. Tinha então os olhos castanhos-claros amendoados. Preparei-me várias vezes para acompanhá-lo mas não fui, achando que iriam precisar de mim para auxiliar na incorporação de algum irmão que pressentia chegar. Por três vezes fui até a porta e voltei. Numa dessas vezes fiquei sentado no banco perto da porta. O amigo aguardava-me de pé, esperando que eu me decidisse acompanhá-lo. Foi quando vi um viajante do espaço (assim achei que fosse), físico semelhante ao nosso, de pé, atrás de um dos componentes do grupo. Vestido de branco, com detalhes e capacete pratas, abriu e ergueu algumas vezes os braços de forma significativa, embora para mim incógnita. Fiquei curioso a respeito do seu rosto. Como se lesse o meu pensamento, tirou o capacete. Tinha traços finos, pele clara, olhos azuis e cabelos no ombro, também claros, quase brancos. Nada falou. Mas seu rosto irradiava calma e paz.
Resolvi acompanhar o amigo da viagem anterior. Quando começamos a volitar em direção ao mar, ouvi sinais de incorporação dificultosa, então resolvi voltar definitivamente. Pedi desculpas a ERSAM (foi quando ele revelou seu nome) pelo esforço e tempo perdidos. Fiquei triste com os transtornos, indecisões e principalmente de ter tomado o tempo daquela criatura.
Senti então que me vinham à mente revelações:
1 - ERSAM era habitante de uma cidade submarina chamada ARMAT.
2 - Que se ligássemos Trindade ou Martins Vaz a Fernando de Noronha com uma reta, e a partir daí construíssemos um triângulo equilátero, ARMAT ficaria situada nesse terceiro vértice.
3 - Consegui divisar um aglomerado de construções simples, retas, com coberturas inclinadas que serviam para captar energia e luz solar. Consegui também ver planos inclinados, formados por cristais de sal da própria água do mar, aglomerados com precisão e forma científicas, encadeados pela tecnologia avançada dos homens de ARMAT. A luz do sol incidente em cada um desses planos refletia e era sucessivamente rebatida nos seguintes, até o fundo do mar, sem perder o brilho ou o calor. Perguntei-me a respeito de objetos atravessando estes planos atômicos, como por exemplo navios, peixes, etc, e recebi uma resposta surpreendente: esses planos podem ser atravessados sem que se perceba ou que se afete o que lhe interfere. No entanto, uma força poderosa os recompõe imediatamente, sem prejudicar o fornecimento de energia e luz, tendo em vista que sobre cada cidade o aglomerado de planos era bastante extenso. Percebi também que esses planos não são grandes em tamanho, porém formam conjunto de trilhões. A captação de luz durante o dia assemelha-se a uma chuva maravilhosa de luz piscando nos cristais do sal, vibrando em todas as cores conhecidas, como se fossem milhões de águas-vivas. Um espetáculo inimaginável.