Os homens encontram-se anestesiados pela matéria. Desligam-se gradualmente da Espiritualidade Superior, buscando nas religiões o artifício para concretização dos seus desejos. Desejam milagres de curas extemporâneas, lucros e sucessos financeiros.
Desejam libertar-se dos problemas cotidianos que os afligem para usufruírem placidamente a vida vazia de sentimentos de amor, e perpetuar o materialismo como forma de vida, na superficialidade dos conhecimentos espirituais, com rituais que lhes acalmam as consciências.
Neste "clima" de cada um por si e diabo para todos, crescem as frágeis criaturas devedoras. Acicatadas pelas necessidades físicas, os desprovidos dos recursos econômicos e espirituais, buscam na delinqüência o caminho único da satisfação dos desejos materiais, pois que a sociedade lhes impõe comportamento e vestimentas que não têm condições de adquirir, a não ser que sejam tomados daqueles que possuem em abundância.
Os delinqüentes multiplicam-se entre a mocidade, pois não encontram na sociedade e nos governantes o apoio moral que lhes sustentariam na rudeza da encarnação, desprovidos de tudo, do essencial para o sustento da vida.
Os governantes responsáveis pela administração dos bens públicos e garantia da vida organizada das sociedades, os abandonam a própria sorte, pois usufruem dos cargos públicos como fonte inesgotável de renda, desviando os recursos que seriam utilizados na melhoria das condições de vida da população.
Abarrotam-se os presídios de jovens delinqüentes e escasseia nos condutores das leis humanas o desejo sincero de contribuir para o equilíbrio e reajuste da juventude e da infância carentes.
O descaso da Sociedade e dos Sistemas Administrativos espalham total desequilíbrio e o caos. Esquecem-se os administradores dos bens públicos que eles possuem entes queridos que também se expõem a atual situação que criaram. Não há retorno ou uma saída para o caos instalado.
Os homens acorrem ao automatismo das liturgias que decoram nas igrejas e santuários principescos e recitam preces com palavras vazias de sentimentos e a história de Jesus não lhes toca o íntimo.
Suas preces recitadas sem emoção perdem-se nas frias paredes dos templos.
Hercílio Maes
GESH - 08/04/06 - Vitória, ES - Brasil