7ª Viagem - 25 de Agosto de 1984
Encontrei-me com o nosso amigo à porta. Não havia dúvida de que era ERSAM. Nem eu nem ele mencionamos nada a respeito da viagem atribulada do desdobramento anterior.
Instantaneamente após ter como último registro de localização a calçada frente ao local onde nos reuníamos, via à minha frente o mar na Região Nordeste do Brasil. Julguei, no dia do desdobramento, que estava plainando sobre aquela região, tão viva era a reprodução da costa, seus contornos, a água verde do mar nas regiões rasas, translúcidas e claras, aprofundando no centro, escura e densa. Reparei então que perpendicular ao triângulo formado pela ponta Nordeste do Brasil e diagonal ao Equador, havia algo como uma grande muralha nas profundezas do mar. Depois, no fundo do oceano, ficamos demoradamente observando aquela construção. Havia algo como cortes paralelos por onde a água passava, em toda a extensão da barreira. Não recebi informações de ERSAM, nem consegui captar seus pensamentos a fim de entender a utilidade daquela "usina". Lembro-me de que sentia vontade de sair, já que ali há muito permaneci sem entender o significado daquela construção, mas havia algo que me forçava a continuar no local. Entendi então que por aquela barreira passava uma corrente vinda do Atlântico Norte, pelo fundo do oceano. Chegando próximo ao litoral nordeste brasileiro, que se encontrava arrojado dentro do Atlântico, a corrente vinha à superfície quando se aproximava da plataforma continental. A barreira servia então para retirar as impurezas contidas na água e ao mesmo tempo afastá-la do litoral, desviando-a para a parte central do Atlântico.
Saindo desse ponto, rumamos em direção a Armat. Nesse ínterim perguntei ao nosso amigo pelo cristal que eu ganhara de presente do pequeno homem, numa viagem anterior. Respondeu-me que o cristal iria chegar a mim e que não me preocupasse como nem quando pois o reconheceria; talvez o achasse, talvez ganhasse ou até mesmo o comprasse, não importaria pois saberia qual era o meu cristal. Após esta resposta quis fazer outras perguntas mas não sabia como formulá-las de maneira específica pois sempre me escapavam da mente. Desisti, preferindo prestar atenção ao meu redor. Estava num lugar que imaginei fosse uma sala de aula. Tudo o que aí vi ou ouvi passou-se numa velocidade incrível, como flashes, não tendo detalhes precisos sobre os acontecimentos que ali se sucederam.
Quando saí do "Cinturão Nordestino" em direção a Armat vi-me num lugar claro, água tão limpa que apenas irradiava uma luz verde, assim como a nossa atmosfera acumula o tom azul, a distância. Havia várias crianças risonhas, brincando. Elas se aproximavam, subiam, desciam e se espalhavam como pequenos peixes, flutuando. Depois observei uma sala de aula onde não via paredes nem teto, mas um limite no espaço, tudo também muito claro e silencioso. As crianças prestavam atenção a um ser que falava de modo calmo, transmitindo paz, segurança e sabedoria.
O tema da aula era algo como "Há muitas moradas na Casa do Pai". O mestre iniciava a palestra falando a respeito de nós, terráqueos, que vivemos nesta "Morada" chamada Terra. Transmitia um imenso amor por nós e ensinava que em todas as situações cabia-lhes compreender-nos e mesmo que fosse prejudicados não deveriam jamais revidar. Deviam se proteger e depois reparar os danos, geralmente causados por desequilíbrio no meio ambiente. Entendi que esse amor e compreensão poderiam ser estendidos e levados a um grau de até sacrifício. Insistia que devíamos ser compreendidos, ajudados, respeitados e amados, como se quer a um irmão mais novo, como se quer a uma criança. Nesta sala havia luz, cor, som, numa harmonia tão perfeita que imaginei fosse o Amor materializando. Sai desse ambiente sublime e encontrei-me num local parecido com o anterior. Um luz azul profundo como a da Lua clareava o ambiente com suavidade. O local vibrava como uma espécie de magia. Vi então dois seres aproximarem-se um do outro. Sabia que era um casal. Dois corpos meio fluídicos, caminhavam um para o outro. Quando se tocaram, primeiramente o tórax, na altura do coração, vi cintilar um luz. Em seguida ergueram os braços. Os braços esquerdos rodearam o corpo do companheiro e ficaram com as mãos abertas nas costas; os braços direitos foram erguidos para o alto, como fonte de captação de energia. Então os corpos, dos pés a cabeça foram percorridos por ondas de luz e cintilaram por algum tempo, sendo que três vezes com maior intensidade. Recebi informação de que o bebê estava concebido e por um tempo que não sei precisar ele iria se materializar fora do corpo da mãe. O corpo fluídico se iluminaria e se adensaria até nascer. Esta última etapa sei que não era demorada. Imagino que contando no nosso tempo seria questão de alguns minutos. Tenho a intuição de que eles tinham conhecimento da hora exata em que a criança iria se materializar, qual era o sexo e inclusive quem era o espírito reencarnante.
A partir daí informações mais completas me eram mostradas através da vidência, onde tive oportunidade de observar cenas oriundas de seu planeta de origem. Recebi informações de que a alimentação era toda feita à base de algas, líquida dentro de cápsulas ou tabletes, acho que integralmente absorvida pelo corpo, sendo que se havia algo para ser eliminado era muito pouco, como uma transpiração, não poluindo a água nem os ambientes, algo completamente imperceptível. Os nutrientes recebidos dos alimentos variavam de acordo com a energia captada pelo Sol ou níveis de cultivo em relação à superfície da água, tempo de colheita, idade das algas, etc.
Em relação aos meios de transporte me foi revelado que não havia carros nem naves dentro das imensas cidades. Eles se movimentavam velozmente quando necessitavam, talvez a mais de 80 km/hora. Para fora da cidade, ou seja, fora da proteção anti-poluição atômica, de um oceano a outro, se é que interpretei perfeitamente, eles se desmaterializavam num ponto e tornavam a se materializar em outro.
Em seguida perguntei pelas roupas, trajes, apesar de nunca tê-los visto usando nada da cintura para cima. Da cintura para baixo nunca me fora permitido ver nenhum ser, a não ser desta vez, quando via as crianças. Tinham duas pernas como nós, apenas os pés eram um pouco maiores, e onde temos dedos algo como os nossos pés de pato para nadar, sem ser exagerado e tão desarmonioso ou feio como o que fabricamos. Os pés dos meus amigos eram maleáveis, flexíveis, translúcidos e quase luminosos, com tonalidades predominantes de um verde entre o esmeralda e o verde água. Movimentavam-se ora energicamente ora tão suave que parecia ter sido tocado por uma brisa. Vi que aparentemente nada usavam, no entando perguntei, por desconfiar que usassem algo colante que eu não percebesse. Ele respondeu pedindo: olhe para mim. Olhei seu corpo de alto a baixo. Não era em nada diferente do corpo das crianças. Talvez apenas mais desenvolvido pela idade. Disse-me alguma coisa como não temos nada a esconder. Os corpos livres e lisos. Cabeça, tronco e membros livres ao movimento, como o nosso corpo aprefeiçoado. Não havia zonas genitais visíveis externamente, tenho certeza de que não existiam também internamente ou encobertas por qualquer membrana. Deduzo que já estão libertos do poder abrasador e escravizante do sexo. Estariam vivendo um nível altíssimo de exercício do amor, da caridade, da compreensão.
Senti então que era hora de voltar e agora todos esses flashes vibravam em minha mente, confusos, por serem projetados e aprendidos tão intensamente vivos e rápidos. Não vi ou senti a viagem de volta. Estava imerso em todas aquelas maravilhosas revelações. Tomado de imensa emoção agradeci por tudo e voltei à Terra.